… um espada a abrir nas mãos de um fangio? Palavras de antanho…

“Passou agora mesmo um espada a abrir nas mãos de um fangio com uma lasca à ilharga.”

Nesta frase há mais umas quantas palavras daquelas que já não se usam há muito e que deixam mesmo os trintões fora de jogo. Um espada por “carro de alta categoria” é expressão que já não ouvia há umas décadas, mas hoje ouvi e foi uma tremenda viagem no tempo: carros grandes e reluzentes, à americana, com linhas que, de facto, tinham algo de espadas.

Juan Manuel Fangio (1911-1995), argentino, dominou a primeira década da Fórmula 1 e já deixou de correr há muito; já vários grandes nomes lhe sucederam. Estabeleceu um recorde de vitórias automobilísticas apenas superado por Schumacher, 46 anos depois.

Também a “lasca”, para mulher bonita, está arrumada nas memórias mais longevas e não encontrei nenhuma definição que explique esta associação. Calculo que remeta para o bacalhau, numa altura em que o “bacalhau de lasca” (o mais alto e melhor) era um dos peixes mais caros, e de “alta categoria” também.

Já a “ilharga” utilizava-se, por exemplo, quando se transportavam as crianças escarranchadas (mais uma de antanho), i.e., de lado sobre a anca.

Bom, mas voltando à frase inicial, a tradução proposta para “juventês” é a seguinte:

“Passou, tipo mesmo agora, um schumacher a abrir com uma babe ao colo, montados tipo numa ganda bomba, meu.”

Esta, acredito, todos percebem.

 

Nazaré Carvalho