Suíças, matacões, moscas, peras e passa-piolhos

Suíças, moscas e passa-piolhos…

Eis mais umas quantas palavras que já não constam, na sua maioria, do vocabulário dos mais novos, pelo menos na aceção capilar. Estão então estas três palavras associadas por se tratarem todas de opções capilares masculinas, que, com o tempo, têm estado mais ou menos na moda.

Começando pelas suíças, estamos a falar de uma designação para patilhas (costeletas em português do Brasil) de dimensão e largura consideráveis e variáveis que podem chegar a tapar grande parte das faces, podendo as maiores designar-se matacões. Ambas estas palavras são de origem obscura, pelo que nos ficamos com a imaginação para decidir de onde terão nascido. Para mim esta imagem evoca a figura de Elvis Presley e a de alguns motards, mas as mais genuínas suíças e matacões fazem-me pensar em touradas e em ribatejanos rústicos e telúricos.

Passando à mosca, falamos de um apêndice minimalista que se assemelha ao dito inseto e que se recorta nos queixos mais variados, entre o lábio inferior e o início do queixo. A versão mais extensa da mosca, embora totalmente diferente, é a pera, que pode estar ligada por uma fina faixa pilosa à restante barba ou totalmente desligada, podendo nem existir mais nenhuma zona de barba crescida. Neste caso, também há quem a designe por chibo, mas esta designação é pouco simpática e normalmente dita em surdina, sem que aquele que a tem o oiça – dispenso-me de explicações desnecessárias.

Agora, a real pérola deste baú de tesouros de marcas distintivas de personalidade, estilos e vaidades é o passa-piolhos, verdadeira peça de museu. Todos sabemos que os piolhos estão quase extintos e que raramente um homem feito os apanhará. Mas, não há muito, este parasita era companhia habitual dos mais honrados cidadãos. Sabemos que os piolhos têm preferência por habitar nas densidades capilares das cabeças dos humanos. Assim, se pensarmos naquela “passadeira” de pelo que liga uma patilha à outra, passando pelo queixo, já estamos a ver de onde vem esta designação. Esta passadeira de antanho para piolhos será agora exclusivamente uma questão de estilo capilar.

PS: Não sei se reparam na expressão “em surdina”, que aqui referi. Também esta é de antanho e há de merecer um post. Quantos saberão o que é uma surdina?

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Nazaré Carvalho