Pastéis de nata em Paris

Foi um ministro que lançou o repto à internacionalização do pastel de nata. E não muito tempo depois, chegavam notícias de vários pontos confirmando que a preconizada exportação do pastel de nata não só estava em curso como ia de vento em popa.

No passado mês de abril, o jornal francês Le Figaro comemorava o 39.º aniversário da Revolução dos Cravos (Révolution des Oeillets) com um artigo sobre o nosso pastel de nata e os lugares onde os parisienses podem dirigir-se para saborearem a nossa cada vez mais internacional iguaria.

A descrição do nosso pastel é neste artigo digna de citação:

“Le pastel de nata, cette petite tartelette de flan aux œufs entourée de pâte feuilletée, qui se déguste tiède et saupoudrée de cannelle et sucre glace.”

Ao apresentar cinco pastelarias que em Paris vendem pastéis de nata, o jornalista de Le Figaro não deixa de referir outras especialidades doces, cuja tradução recolhemos para fundamentação no nosso glossário gastronómico, a que recorremos sempre que nos encomendam traduções de menus. Ora vejamos:

– para “bica” a tradução é “café serré”;

– para “pão com chouriço” a tradução é “beignet salé”;

– para o nosso bacalhau a tradução é la “morue séchée”.

Para dois dos nossos doces, o amável jornalista não encontrou no entanto tradução e resignou-se a mantê-los em português: a bola de Berlim sobre a qual acrescenta apenas uma explicação entre parêntesis (“garni de crème pâtissière”) e o bolo de arroz.

A julgar por esta amostra, dir-se-ia que os nossos amigos franceses preferem não traduzir os nomes dos doces, embora traduzam o nome dos salgados… e da bica.

Numa viagem recente a Paris, pude verificar de resto que o nome do pastel de nata levanta dúvidas entre os franceses. Como se pode comprovar pela fotografia, anunciam-se numa pastelaria os “pasta de nata” a 2,10 euros e os “Flan pastel” a 1,50 euros cada um.

pasteis_de_nata

Confesso que os meus preferidos são estes, não pela tradução do nome, nem mesmo pelo melhor preço, mas por se venderem na ilha de São Luís, que é um dos meus lugares preferidos de Paris.

Ângela Santos