Palavras de antanho: andar numa fona

“Andamos aqui todos numa fona!”

Esta expressão, muito usual há umas décadas, é agora uma ilustre desconhecida para a maioria. Diz-se que se anda numa fona quando o ambiente é de correria, lufa-lufa, roda-viva.

Mas, o mais curioso é que, mesmo para muitos daqueles que sempre a utilizaram, o significado de “fona”, nesta aceção, é provavelmente desconhecido. Lembro-me de, num rigoroso dia de inverno, estar literalmente enfiada na lareira de chão, em casa de amigos, em Viseu, e de ter ouvido à dona da casa: “Ó menina, olhe que vai ficar cheia de fonas.”

Foi então que percebi o verdadeiro significado da expressão. A imagem da correria das fonas  (faúlhas apagadas, pequenas partículas de cinza) foi transposta para as nossas próprias correrias. De qualquer modo, penso que teria sido mais apropriado adotar as faúlhas para esta expressão, já que são bem mais apressadas do que as fonas. Os meus avós diziam-me que as faúlhas que disparavam chaminé acima eram “meninas a correr para a escola”. Esta nunca ouvi em mais parte nenhuma; calculo que fosse um exclusivo familiar.

 

Nazaré Carvalho