Palavra árabe flexionada em muitas línguas

A raiz – jihad –  tem marcado presença constante em todos os jornais de todo o mundo. E cada língua junta-lhe depois os seus sufixos próprios para dar as notícias aterradoras que todos conhecemos. Em português, junta-se à raiz o sufixo -“ismo” para falar do jihadismo: corrente que tem a jihad no centro. Junta-se o sufixo “-ista” para falar daquele que se junta ao movimento armado. E usa-se a raiz adjetivada: jihad islâmica, jihad portuguesa etc. Em língua inglesa há pelo menos mais uma derivada, que em português não ocorre habitualmente: jihadology; além de que “jihadist” alterna com “jihadi“. Em italiano, a derivação confunde-se na escrita com a portuguesa: jihad, jihadismo e jihadista.

Mas de onde vem esta palavra que, apesar da sufixação, se mantém árabe, e que, isolada ou adaptada a tantas línguas, é atualmente quase omnipresente? Consultámos o dicionário Houaiss, que confirma a origem árabe na palavra “djihad“. O sentido etimológico é “luta”. Mas o dicionário continua o esclarecimento, juntando duas definições. A primeira é curta e de conhecimento generalizado: “guerra santa muçulmana, luta armada contra os infiéis e inimigos do Islão”.

A segunda definição abre outras possibilidades de sentido, estendendo-se pelas opções previstas na doutrina, além da opção que ocupa a primeira definição da palavra: “Dever religioso dos muçulmanos de defender o Islão através de luta [Pode ser cumprido, doutrinariamente falando, de quatro formas: pelo coração, purificando-se espiritualmente na luta contra o diabo; pela língua e pelas mãos, difundindo palavras e comportamentos que defendam o que é bom e corrijam o errado; ou pela espada, praticando a guerra física.]”

Na revisão de textos, “jihad” deve escrever-se em itálico, como todos os estrangeirismos. Mas quando à palavra se juntam sufixos não árabes, o resultado misto levanta o problema do tratamento gráfico. O recurso a um sufixo português deixa implícito o aportuguesamento da palavra, mas neste caso a grafia deveria refletir a adoção (jiade?), o que não acontece. Pelo menos ainda. Mas na língua alemã, a adaptação já foi registada nos dicionários em 2004 e a dúvida não se levanta. “Dschihadist” é um homem e “Dschihadistin” é uma mulher. Também em espanhol a adaptação já se fez: yihad já foi registado no Dicionário da Real Academia Espanhola, embora o derivado yhiadistaainda não ocorra ali.