Operação Nomeação

Sempre que vejo anunciada uma operação policial – operação Monte Branco, Furacão, Apito Dourado, Face Oculta… – imagino um punhado de senhores agentes à paisana em volta de uma mesa mal iluminada a alinhar argumentação e contra-argumentação para chamar a uma operação isto ou aquilo. Vejo-os também a gargalhar profusamente no meio deste esforço de nomeação.

Em todo o caso, estes nomes deixam sempre a impressão de que a polícia pretende contribuir para o desenvolvimento da imaginação das pessoas. Monte Branco? O “branco” é capaz de ter que ver com  o tal “branqueamento” de capitais… mas e “monte”? Será por ser “um monte” de dinheiro? Uma pessoa pergunta-se… mas não pode propriamente ir bater à porta da polícia resolver estas dúvidas. O “apito dourado” faz algum sentido: tem que ver com o futebol e com ouro (dinheiro, enfim). Mas não haverá aqui um perigo, digamos… jurídico? Não seria melhor a polícia ter a mesma atenção dos jornalistas que cuidadosamente depositam um “alegado” antes de tudo o que possa parecer uma acusação “não transitada em julgado”? Ou seja, não seria melhor os senhores agentes defenderem-se de serem processados optando antes por “operação Alegado Apito Dourado”? Seria prudente, pelo menos…

Mas tenho uma sugestão mais abrangente para a polícia: que organize uma operação, chamada “operação Nomeação” com a missão de encontrar nomes para as operações que sejam compreensíveis não só para os senhores agentes mas para o comum dos mortais também. Toda a gente vai pensar que a operação Nomeações visa nomeações viciadas para cargos públicos, mas não faz mal; lá está, concordo com a polícia: é preciso desafiar a imaginação dos Portugueses. Os agentes destacados para a operação Nomeação deverão também estar disponíveis para esclarecimentos sobre a fundamentação e o próprio processo de nomeação das operações.

Mais do que justo, parece-me um ato de caridade para com o comum dos mortais que se interroga. Não vos parece?

Ângela Santos