O português sob pressão

 

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Muitas vezes, quando estamos a conversar, enganamo-nos a escolher as palavras. Especialmente se falamos para uma audiência alargada, é natural que aconteça. Quando escrevemos, porém, temos a oportunidade de rever e eliminar todas as escolhas erradas.

Quem disse esta frase, se a tivesse escrito, teria certamente corrigido para “Estou de bem com a minha consciência pelo trabalho feito.” Porque se desempenham funções, mas o trabalho faz-se.

Infelizmente, também a rapidez com que se publicam notícias é inimiga da ponderação e da revisão, pelo que é frequente encontrarmos falhas como as que se seguem.

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A locução “devido a” serve para introduzir razões, pelo que há uma redundância inútil na palavra que se segue (“razões”). A correção poderia passar pela eliminação de qualquer um dos segmentos com o mesmo sentido; “… devido a preocupações com a segurança” seria uma possibilidade; “… por razões relacionadas com a segurança” seria outra possibilidade.

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Neste caso, uma gralha adulterou o nome da província, que aparece corretamente escrito no título. Mas o que mais me intriga nesta pequena notícia é que se gaste quase metade do pouco espaço disponível para repetir o título, desperdiçando o tempo e a atenção dos leitores.

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“Em termos de política internacional” significa “nas palavras próprias da política internacional”, supondo que esta atividade tenha um vocabulário específico, o que pode de facto ter. Mas “convergência de pontos de vista” não é expressão propriamente exclusiva da política internacional. Deduzo, portanto, que o objetivo seria afirmar a convergência de opiniões sobre política internacional.

Ângela Santos