Metáforas – Correio eletrónico

Usamos muitas vezes metáforas na linguagem corrente, embora nem sempre nos demos conta. Um caso compreensível é o caso do correio eletrónico, que desde cedo nos habituámos a referir como antes referíamos o correio postal. Usamos o verbo “enviar” tanto num caso como no outro.

Designamos por “morada” ou “endereço” o que usamos para que uma mensagem vá ter a um edifício, numa rua, numa cidade, num país, ou vá ter a um aparelho eletrónico.

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Usamos a designação “caixa de correio” para nos referirmos a uma caixa usada para o depósito resguardado de cartas ou para referirmos um software que recebe e mostra, além de permitir o envio de mensagens eletrónicas…

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Nada há de errado nisto; pelo contrário, ajudou-nos, num primeiro momento, a compreender e a aceitar uma nova realidade. O erro pode, no entanto, ocorrer quando, passado o primeiro momento, nos esquecemos da metáfora e nos entregamos à repetição irrefletida.

Por exemplo, quando falávamos de correio postal, tendíamos a diferenciar tipologicamente as mensagens enviadas. Havia as cartas (mais longas e acomodadas em envelope de papel), os postais (suporte mais grosso mas de espaço mais limitado; acomodado ou não em envelope); os telegramas… No correio eletrónico, o desaparecimento desta tipologia reduziu a designação do que se envia a “mensagem” ou, se quisermos ser mais precisos, “mensagem de e-mail“.

Ao esquecermos a condição metafórica da forma como nos referimos ao e-mail, porém, tendemos a reduzir a designação acertada (mensagem de e-mail) a “e-mail” ou mesmo a “mail“. Devemos prestar atenção, no entanto, pois “enviei-lhe um e-mail” significa “enviei-lhe um correio eletrónico” e “enviei-lhe um mail” significa “enviei-lhe um correio”. Seria o mesmo que dizer “envei-lhe um correio postal” ou “enviei-lhe um correio” para significar “enviei-lhe uma carta”. Na oralidade, é fácil acautelar mal-entendidos, mas na escrita, especialmente na escrita que tenha algum grau de formalidade, é preferível não reduzir a designação “mensagem de e-mail” para a designação “mensagem” e evitar a redução para “e-mail“.

Ângela Santos