O que são parónimos?

Neste artigo, explicaremos em pormenor o que são parónimos, realçando a importância de darmos atenção especial a estas palavras.

Parónimos: palavras que têm a pronúncia e a grafia muito semelhantes, mas não idênticas, e que apresentam um significado diferente. 

Quando trocadas, estas palavras parecidas podem não só originar erros semânticos, mas também transmitir, precisamente, o contrário do sentido pretendido. Neste post, expomos alguns exemplos de uso impróprio, esclarecendo o significado de cada parónimo. 

Exemplos de parónimos:

Infringir por infligir

«lvete Margarida morreu em casa da sua ama, uma mulher (…) que, de acordo com alguns vizinhos, teria por hábito infringir castigos físicos à criança.» (CETEMPúblico, Ext 823459 [soc, 92a])

Enquanto a opção apropriada, infligir, significa aplicar algo ou causar sofrimento, infringir significa transgredir ou violar, geralmente a lei.

Ter a haver por ter a ver

«O Benfica caracteriza-se hoje por um gigantismo inoperante que nada tem a haver com a sua grandeza e que, bem pelo contrário, a antagoniza.» (CETEMPúblico, Ext 876884 [des, 95a])

A locução aqui pretendida seria ter a ver, que exprime a relação entre dois elementos. Já ter a haver significa ter a receber. Adicionalmente, recomenda-se o uso de ter que ver.

Tráfego por tráfico e vice-versa

«O proclamado pretexto para penalizar o consumo e tráfego da droga é o de proteger deles próprios os existentes ou potenciais toxicodependentes.» (CETEMPúblico, Ext 81161 [soc, 93a])

«Parecia que tinha voltado à tropa», dizia há dias um taxista, a guinar pelo tráfico lisboeta.» (CETEMPúblico, Ext 1404306 [soc, 92a])

O tráfico, uma atividade comercial ilegal, não deve ser confundido com tráfego, um simples movimento de, por exemplo, veículos; aproximando-se assim de trânsito.

Capturar por captar

«Por isso é que se diz que os videojogos conseguem capturar a atenção dos utilizadores muito mais facilmente do que qualquer sistema de VR actual.» (CETEMPúblico, Ext 7705 [soc, 94b])

Pensa-se que este decalque tenha origem na língua inglesa, especificamente no verbo capture. A fraseologia correta e natural seria captar a atenção.

 

Em seguida, chamamos a atenção para casos em que o uso do parónimo errado transmite o sentido oposto ao pretendido, ou um sentido especialmente deturpado. 

De encontro a por ao encontro de

“«Há que ir de encontro aos interesses e necessidades das populações e apostar, com pedagogia, na evolução natural das mentalidades» (…).” (CETEMPúblico, Ext 988582 [soc, 98b])

Ir de encontro a significa embater contra algo ou alguém, fisicamente ou no que diz respeito a crenças e pontos de vista. Já ir ao encontro de significa concordar. Estes parónimos podem ser usados com um sentido literal ou figurado, mas nunca indiscriminadamente. 

Neste caso específico, o locutor disse, na verdade, que era necessário contrariar os interesses e necessidades das populações. 

Cadente por candente

«Quanto ao afeitado, questão cadente, foi por todos reconhecido que é fraude que não aproveita, visto aviltar o toiro (…).» (CETEMPúblico, Ext 1481755 [soc, 95a])

Enquanto candente indica que uma questão está na ordem do dia, cadente denota o oposto, indicando que a importância da questão decresce. 

Prolixo por prolífico

»Autor prolixo, com dezenas de títulos publicados, sobretudo poesia, Manuel Rui ganhou a atenção dos portugueses (…).” (CETEMPúblico, Ext 1410423 [eco, 93a])

«Foi muito prolixo – cerca de quarenta títulos, entre ficções, biografias (Shakespeare, Hemingway, Mozart, D. H. Lawrence; o seu último livro, publicado este ano e elogiado pela crítica, é uma biografia romanceada de Christopher Marlowe (…).» (CETEMPúblico, Ext 760323 [clt, 93b])

Além de não transmitir o sentido pretendido, o de que determinado autor escreveu muitos livros (sendo assim um autor prolífico), o uso de prolixo consegue ainda insultá-lo, chamando a escrita verborreica.

Retificar por ratificar

“Na medida em que (…) os portugueses não tiveram ensejo, depois de um exame sério, de rectificar em acto solene o Tratado de Maastricht, assumindo (…) «pessoalmente», como outros europeus as consequências, positivas ou negativas da sua escolha (…).” (CETEMPúblico, Ext 384163 [soc, 92b])

No excerto acima, está expressa a ideia de que os portugueses não tiveram oportunidade de corrigir o Tratado de Maastricht, quando na verdade se quis dizer aprovar.

Estas são apenas algumas confusões para as quais devemos estar alerta, e que não encontrará na Letrário. Ao recorrer aos nossos serviços, o seu descanso está garantido. Os nossos profissionais especializados em propriedade lexical estão atentos, evitando trocas, perdas de sentido, decalques e expressões pouco naturais. 

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Bibliografia

Móia, T. (2005). “Algumas Áreas Problemáticas para a Normalização Linguística – Disparidades entre o Uso e os Instrumentos de Normalização Linguística”, in Actas do XX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, Lisboa: APL, pp. 109-125.

Peres, J.A.; Móia, T. (1995). Áreas Críticas da Língua Portuguesa, Editorial Caminho, Lisboa, 2. ª ed. revista, 2003.

Rocha, P.; Santos, D. (2000). “CETEMPúblico: Um corpus de grandes dimensões de linguagem jornalística portuguesa”, in Maria das Graças Volpe Nunes (ed.), Actas do V Encontro para o processamento computacional da língua portuguesa escrita e falada (PROPOR’2000) (Atibaia, São Paulo, Brasil, 19 a 22 de Novembro de 2000)