Legionella

Os jornais têm-se fixado neste nome, que imprimem em itálico, como se convencionou fazer em caso de nomes de espécies. Mas poderiam também usar a forma portuguesa “legionela”, que está atestada nos dicionários como nome comum, dispensando-se portanto o itálico. E poderiam também usar o termo “legionelose”, para designar a patologia causada pela bactéria. A alternativa que preferem, no entanto, é “doença do legionário”.

Comecemos pelo legionário, então. Um legionário é um elemento de uma legião, ou seja, uma unidade de um exército. Curiosamente, na origem da palavra “legião”, está o verbo “legere”, que tanto significou “juntar”, como “ler”. Parece, portanto, que, pelo menos etimologicamente, a guerra tem que ver com a leitura.

legionella

Legionella pneumophila

O salto da palavra para nome de bactéria parece ter ocorrido nos anos 70 do século XX, em Filadélfia, durante uma reunião da Legião Americana. De repente, uma espécie de pneumonia matou 34 legionários e deixou doentes mais de duas centenas. O género de bactérias causadoras do desastre foi depois batizado Legionella e o termo “legionelose” passou a servir para designar a doença causada pelas bactérias deste género.

A “doença do legionário” é causada por uma espécie do géneroLegionella, conhecida por Legionella pneumophila. O elemento grego “pneumo-“, como se sabe, significa pulmão. Já o pospositivo, também grego, “-phila” poderia confundir-se com o que deriva de “phílos” e significa “amigo, admirador”. É o que encontramos em “francófilo”, ou seja, o admirador de França e dos franceses. No caso da bactéria que causa a doença dos legionários, no entanto, o pospositivo, igualmente de origem grega, é “phulê”, que significa “raça, tribo, grupo”.

E agora que já aprendemos a lição da legionela, esperamos que seja exterminada e nunca mais volte para nos assombrar.

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Ângela Santos

Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa