ENTREVISTAS À DIÁSPORA: Sara Cunha-Rego, Diretora de Marketing no Grupo UK2, em Londres

Sara Cunha-Rego é atualmente diretora de marketing do Grupo UK2, em Londres. Começou o seu percurso profissional na TMN, passou pela Angola Telecom, Cabo Verde Telecom, Telecomunicações de Moçambique, tendo depois assumido funções de senior account manager, na Portugal Telecom. Antes de sair de Portugal, passou pela CreditBox, como product manager. Em março de 2012, concluiu, em Londres, o master degree em Marketing Management, especializando-se em Marketing Digital, ingressando depois no Grupo UK2. 
 
Sara Cunha-Rego licenciou-se em Marketing e Comunicação na Universidade Independente. Em 2009, frequentou o mestrado em Marketing Management no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Letrário – Como se sente vista por ser portuguesa, no seu contexto de trabalho ou nos diversos contextos sociais?
Sara Cunha-Rego –  Não há grande diferença. Muitas pessoas já visitaram Portugal e não percebem por que razão largaria um país com tanto sol por um com tanta chuva.
L – Acha que há uma ideia feita sobre os Portugueses?
SC-R – Não que me tenha apercebido. Estou num ambiente onde existem muitas nacionalidades. É um assunto que nem se aborda.
L –  E os Portugueses que aí vivem têm uma opinião comum sobre os ingleses?
SC-R – Não me dou com portugueses socialmente.
L – O que estranhou mais na mudança de vida e de cultura?
SC-R – A diferença de horários e a alimentação. Os ingleses não falam tão alto quanto os portugueses; quando vou a Portugal reparo que comecei a falar muito baixinho. Também não gesticulam tanto quanto nós, mas sendo a única portuguesa numa empresa tecnológica, onde trabalham maioritariamente homens, acham piada. São mais educados e menos impulsivos.
L – Aconteceu-lhe algum percalço, durante a fase de adaptação?
SC-R – Não. Numa ou noutra altura, não percebo bem o que dizem, mas nada como um “sorry, can you please repeat…”
L – Os Portugueses falam muito da saudade da culinária, das pessoas, mesmo dos lugares ou da luz. Mas a saudade de falar português existe?
SC-R – Não sei dizer. Tenho uma au pair portuguesa com quem falo em português, portanto, não me consigo aperceber. Entre os seis e os 14 anos, vivi na África do Sul e, nessa altura, sim, sentia saudades de falar português.
L – Sente vontade de falar português, quando tem de se exprimir sobre assuntos mais complexos, ou é já indiferente?
SC-R – Já é indiferente. Vivi na África do Sul onde frequentei a escola inglesa, portanto cresci a pensar tanto em inglês como em português.
L – Ainda sonha em português e ainda pensa em português?
SC-R – Cada vez menos.
L – Alguma vez usou o português para que não a entendessem?
SC-R – Sim, já. Fiz um comentário sobre a roupa de alguém; nada de extraordinário. Num contexto de trabalho seria muitíssimo mal-educado fazer algo assim. Não me atreveria.
L – Sente-se capaz de traduzir tanto para inglês quanto para português?
SC-R – Sim.