Encontros felizes e infelizes

É uma espécie de praga repentina: liga-se a televisão, abre-se um relatório e contas e lá vem a confusão da moda, uma e outra vez. Há duas expressões cujo núcleo é a palavra “encontro”, mas uma tem sentido negativo e outra tem sentido positivo.

“Ir ao encontro de” é a que tem sentido positivo: significa “corresponder”, dar boa resposta. Ir ao encontro das expetativas dos eleitores significa fazer o que eles esperam que seja feito. Em suma, este é um encontro feliz.

“Ir de encontro a” é a que tem sentido negativo, porque tem implícita a ideia de colisão, de atropelo. Ir de encontro a uma mesa, significa dar um encontrão numa mesa. A noção de ação inadvertida está também muito associada a esta expressão, embora não seja obrigatória. Na verdade, as colisões implicam muitas vezes danos para ambas as partes, ou, por outras palavras, em princípio, ninguém dá um encontrão numa mesa por querer, até porque pode magoar-se. Ou ainda: ninguém vai de encontro a uma mesa de propósito, a menos que esteja especialmente interessado numa nódoa negra. Em suma, é um encontro infeliz.

Ora, esta expressão de sentido negativo tem ganhado o espaço da que tem sentido positivo, e tornou-se vulgar ouvir dizer “ir de encontro às expetativas dos clientes”… Significa isto, no entanto, que alguém vai atropelar as expetativas dos clientes. Para obter o sentido feliz, é forçoso usar a outra expressão: “ir ao encontro das expetativas dos clientes”.