Cliente-mistério

Nunca entenderei a razão de terem chamado cliente-mistério a um falso cliente que entra num estabelecimento para avaliar o funcionamento da organização, sem que esta saiba que aquele cliente não está a agir por interesse próprio.

Quando estes profissionais estão em atividade, ou seja, quando estão a desempenhar o papel de clientes, eles devem ser o menos misteriosos que lhes seja possível, uma vez que ninguém na organização deve desconfiar que não são verdadeiros clientes.

Seria mais acertado chamar-lhes “falsos clientes”. Mas a designação “cliente-mistério” já há muito se impôs: toda a gente sabe o que é, e ninguém reconheceria sentido na designação “falso cliente”.

Há muitos anos, durante a revisão do relatório e contas de um grande banco português, cheguei a propor a substituição de cliente-mistério por “falso cliente”, mas já na altura a proposta não foi acolhida, por se temer que o termo não fosse imediatamente descodificado.

Convém ter em mente, no entanto, que esta designação deve ser escrita com hífen.

Ângela Santos