O Bullet Journal das Traduções

O Bullet Journal das Traduções não é mais que a adaptação nossa (da Letrário) do método de Ryder Caroll à realidade dos tradutores e de todos os que trabalham com traduções no dia-a-dia.

Há já muito que se usa papel para fazer listas de tarefas. Mas um novo método, desenvolvido pelo americano Ryder Carroll, autor e designer de produtos digitais, promete simplificar e estandardizar as notas que tiramos, aplicando um sistema a que Caroll chama Bullet Journal.

Quando Caroll era pequeno, foi diagnosticado com défice de atenção. Naquela altura, ainda não havia Internet, apps nem recursos operacionais que lhe facilitassem a vida. Foi por isso que decidiu criar o seu próprio método de organização de tarefas; um método que correspondesse à forma como a mente dele funcionava. 

Não é que Carroll não conseguisse concentrar-se… Simplesmente, concentrava-se em demasiadas coisas ao mesmo tempo. Criado originalmente apenas para ele próprio, este sistema analógico, que o ajudou até a curar o défice de atenção, tornou-se popular entre os amigos de Caroll. Consequentemente, o designer decidiu consolidar o projeto, criando o website https://bulletjournal.com.

Aqui na Letrário, experimentámos usar o Bullet Journal durante uma semana e acabámos por fazer dele um hábito. Comprovámos que o sistema ajuda a acompanhar o curso do dia e a priorizar tarefas mais facilmente, ao mesmo tempo que nos dá uma base metodológica da qual não queremos fugir e que salta à vista. 

Asteriscos:

    • O sistema dos asteriscos, de que falaremos mais à frente, permite priorizar tarefas que não tenham surgido antes de outras, mas que têm de ser concluídas primeiro — será o caso dos trabalhos urgentes. 

Coleções fixas com tarefas:

    • Também podem criar-se coleções fixas com tarefas que devem concretizar-se sempre, como as de um protocolo. Por exemplo, ao fazer uma tradução ou uma revisão, é útil ter em mente que devemos seguir regras de um determinado guia de estilo, como eliminar maiúsculas desnecessárias e expressões indesejadas. 
    • Devemos também verificar os aspetos específicos de cada a língua, como o uso da pontuação (p. ex.: hifenização, citações, marcas de diálogo, abreviaturas etc.) e o uso das unidades de medida (p. ex.: sistema imperial vs. métrico). 
    • Outros elementos que podem integrar esta checklist são as unidades terminológicas a uniformizar, de modo a garantir a consistência, e a formatação dos documentos, que tem de ser feita no fim e que pode envolver a verificação de parágrafos, de negritos, itálicos e sublinhados.

O Bullet Journal das Traduções ganhou adeptos na Letrário

Passado algum tempo, ao olhar de relance, conseguimos rapidamente perceber o que foi feito e o que falta fazer. O Bullet Journal permite, de forma muito prática, visualizar a informação, as tarefas que vão aparecendo nos dias que se seguem, e controlar facilmente os fluxos de trabalho, que se tornam mais acessíveis, precisamente por serem registados uniformemente.

Para que serve então esta metodologia?

A metodologia do Bullet Journal é simples e fácil de adotar; visa ajudar os utilizadores a ter intenção nos objetivos que estabelecem, dando-lhes significado e promovendo a produtividade: Carroll fala em «acompanhar o passado, organizar o presente e planear o futuro». 

Não é preciso comprar um caderno específico nem catita, qualquer caderno serve — pautado, quadriculado, pontilhado ou branco. 

Passos para criar o seu Bullet Journal das Traduções:

  1. O primeiro passo para pôr o sistema em prática é criar um índice (index) nas duas primeiras páginas, deixando-as em branco. Excetuando as do índice, todas as páginas devem ser numeradas. 
  2. O segundo passo é criar um registo para tarefas futuras (future log). Desenha-se, por exemplo, um registo contendo um espaço para cada mês. 
  3. O terceiro passo é criar um registo individual para o mês (monthly log). Este é acompanhado por um calendário, na folha à esquerda e pelas tarefas para o mês, na folha à direita. 
  4. Por fim, cria-se o registo diário (daily log), que consiste em escrever a data no início da folha e em anotar as tarefas, eventos e notas para o dia. 

A legenda para o sistema analógico é a seguinte: 

. – As tarefas por realizar são indicadas por um ponto, 

+ – As completadas por uma cruz, que omite o ponto, 

/ – e as irrelevantes, isto é, as tarefas que já não vale a pena realizar são simplesmente riscadas.

O – Os eventos são indicados por um círculo 

– e as notas por um traço. 

* – Caso haja uma tarefa prioritária ou urgente, adiciona-se um asterisco junto desta, para assinalar a sua importância. 

-> No fim de cada mês, é útil folhear o caderno e ver que tarefas incompletas vale a pena concretizar num futuro próximo. Estas tarefas migram para o mês seguinte e são indicadas por uma seta para a direita. 

As que devem ser realizadas mais tarde, noutros meses, integram o registo para tarefas futuras (future log), mais especificamente, o espaço mensal respetivo. 

Pode ver um vídeo sobre a preparação do Bullet Journal aqui.

Menos é mais: o objetivo é ter tarefas anotadas sob a forma de tópicos diretos e concisos, não é precisar de mais tempo para escrever mais e expandir os nossos deveres inutilmente. 

Apesar de o caderno ser, até certo ponto, pessoal (no contexto profissional), também pode ser consultado por qualquer membro da equipa, se necessário. Os registos mensais e a migração de tarefas revelaram ser recursos preciosos, uma vez que nos dão uma perspetiva clara do futuro e nos permitem navegar no caderno e, por analogia, no nosso trabalho, sem preocupações. 

Aplicámos este conceito ao contexto profissional, mas pode integrar muitos outros aspetos do quotidiano. É possível criar um Bullet Journal para o brainstorming, para a rotina, para os objetivos pessoais e as resoluções, para as finanças e até para a saúde. 

Experimente e descubra as vantagens do Bullet Journal! O nosso Bullet Journal das Traduções já está a dar frutos.