A interessante etimologia de 10 palavras e a evolução gótica

Gosta de aprender acerca da origem das palavras? Interessa-se pelas histórias por trás das palavras? Se sim, este artigo é para si! Embarque numa viagem por várias línguas e descubra mais sobre a história em geral. Vamos contar-lhe a origem e evolução de «tragédia», «assassino», «uísque», «champô», «vacina», «etimologia», «desastre», «orangotango», «Bluetooth» e «gótico». Venha daí!

 

  1. Tragédia

Pelo latim, do grego tragōidia, tragos = «bode» + ōidē = «canto».

Há muitas teorias relativas a esta etimologia. Uma delas explica que, durante os espetáculos teatrais dedicados a Dionísio, uma cabra era sacrificada, acompanhada por uma ode cantada por um coro.

 

  1. Assassino

Pelo francês, ou latim medieval assassinus, do árabe ašīšī = «consumidor de haxixe».

Acredita-se que o termo se refere aos assassinos que teriam por hábito consumir a substância antes de perpetrarem os ataques, que lhes induzia a visão do Paraíso.

 

  1. Uísque

Do inglês, abreviatura do termo arcaico whiskybae, variante de usquebaugh, do gaélico irlandês e escocês uisge beatha = «água da vida».

O termo latino aqua vitae também foi cunhado noutras línguas; por exemplo, em sueco, dinamarquês e norueguês, aquavit (também com a seguinte grafia: akvavit), referindo-se a um licor claro com sabor a cominhos. A tradução francesa do termo, eau-de-vie, refere-se a uma aguardente clara destilada do sumo fermentado da pera, da framboesa, ou de outro fruto.

 

  1. Champô

Da palavra híndi champo, imperativo de champna = «pressionar».

Do radical sânscrito chapati (चपति), esta palavra referia-se inicialmente a qualquer tipo de ação que envolvesse pressionar ou amassar. A definição sofreu uma posterior extensão e passou a significar «lavar o cabelo», em 1860.

 

  1. Vacina

Do latim vaccinus, de vacca = «vaca».

No século XVIII, um médico inglês chamado Edward Jenner decidiu determinar se havia alguma verdade numa lenda da época: as leiteiras que apanhavam varíola bovina não apanhavam varíola.

Assim, Jenner inoculou um rapaz de oito anos com o material retirado das pústulas de uma leiteira. Após contrair a varíola bovina e recuperar, Jenner inoculou o rapaz com a varíola.

Este ficou imune, e não contraiu a doença. Mais tarde, a palavra passou a significar também toda a substância produtora de antígenos imunizantes.

 

  1. Etimologia

Do latim e grego etymologia = «análise de uma palavra para encontrar a verdadeira origem».

Por outras palavras, o «estudo do verdadeiro sentido (de uma palavra)», significando –logia «estudo de» e etymon «verdadeiro sentido, significado original». O termo etymos, «verdadeiro, real, factual» está relacionado com eteos, «verdadeiro», um possível cognato com o sânscrito satyah, o gótico sunjis, e o inglês antigo soð. O termo foi latinizado por Cícero: veriloquium.

 

  1. Desastre

Do italiano disastro = «desgraça pelos astros»; prefixo de negação dis + astro  = «estrela» (do latim astrum ).

A origem da palavra «disastro» remonta ao grego antigo, podendo ser interpretada como um «acontecimento malfadado».

Os antigos gregos tinham um enorme fascínio pela astronomia e pelo cosmos, e acreditavam verdadeiramente na influência dos corpos celestes na vida terrestre. Para eles, um desastre era uma calamidade muito singular, cujas causas podiam ser atribuídas a um alinhamento desfavorável e inevitável dos planetas.

 

  1. Orangotango

Pelo neerlandês orang outang, do malaio: «homem da floresta» (orang = «homem, pessoa» + (h)utan = «floresta».

É possível que a palavra tenha sido originalmente utilizada pelos habitantes de Java para descrever as tribos selvagens do Arquipélago da Sonda, integradas por seres humanos que vivem na floresta, e que os europeus tenham pensado que a palavra se referia aos primatas.

Contudo, a palavra sofreu uma extensão semântica, passando a incluir os primatas do género Pongo numa fase inicial da história da língua malaia.

O nome do género tem origem num relato do século XVI de Andrew Battel, um marinheiro inglês prisioneiro de portugueses em Angola, que descreve dois «monstros» antropoides chamados Pongo e Engeco. Pensa-se agora que se referia a gorilas, mas, no século XVIII, os termos orangotango e pongo eram utilizados para descrever todos os grandes primatas.

 

  1. Bluetooth

Anos 90: este termo deve-se a Haroldo I da Dinamarca (910-985), que uniu a Dinamarca e a Noruega, tal como o Bluetooth une a indústria das telecomunicações e a indústria da computação.

Harald Blåtand Gormsson, víquingue que reinou na Dinamarca e Noruega desde 958 até 985, foi responsável por muitos feitos, mas o maior de todos foi ter unido a Dinamarca e a Noruega durante o reinado.

Gormsson era também conhecido pelo dente morto que tinha, que apresentava uma tonalidade azul-cinza muito escura. Era tão evidente que deu origem ao cognome «Dente-Azul», «Blåtand» em dinamarquês.

Em 1996, três empresas líderes da indústria (Intel, Ericsson e Nokia) reuniram-se para planear a padronização desta tecnologia de rádio de curto alcance para possibilitar a conectividade e a colaboração entre diferentes indústrias. Durante esta reunião, Jim Kardach, da Intel, sugeriu Bluetooth como nome de código temporário, mencionando o cognome do rei e o que este alcançou. O nome acabou por se tornar definitivo.

O símbolo da tecnologia é uma runa que liga as runas Hagall (ᚼ) e Bjarkan (ᛒ), do Futhark recente, que são as iniciais de Haroldo.

 

  1. Gótico (e a respetiva evolução semântica)

«Dos godos», o antigo povo germânico, «relativo a godo ou à língua dos godos», sec. XVII, do latim gothicus, de gothi, do grego gothoi.

A etimologia e o significado apresentados acima são apenas o início do caminho que esta palavra percorreu na história, começando pelos invasores germânicos da idade das trevas; passando depois a referir-se às primeiras maravilhas arquitetónicas cristãs; aos romances de terror; aos filmes sobrenaturais e de terror; e, finalmente, aos sombrios, pós-punks e aos respetivos fãs adolescentes mal-humorados.

Tudo começa na Roma Antiga. À medida que se expandia, o Império Romano enfrentava ataques e invasões nas fronteiras. Um dos invasores mais poderosos era o povo germânico, os godos, composto pelos visigodos e os ostrogodos, que lutaram contra o domínio romano no final dos anos 300 e início dos 400 d.C. Estes ajudaram a provocar a queda do Império Romano, que tinha controlado grande parte da Europa durante séculos; assim, diz-se que a ascensão dos godos marcou o início do período medieval na Europa.

Passamos agora ao segundo significado, que diz respeito à arquitetura gótica. O termo «arquitetura gótica» começou por ser pejorativo. Giorgio Vasari utilizou a expressão «estilo alemão bárbaro» no livro que intitulou As Vidas dos mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos para descrever o que é agora considerado o estilo gótico, e na introdução atribuiu várias características arquitetónicas aos godos, que considerou responsáveis pela destruição dos edifícios antigos após a conquista de Roma, e pela edificação de novas construções neste estilo.

Já a ficção gótica é um género literário e cinematográfico que abrange o terror, a morte e por vezes o romance. Diz-se que teve origem no romance O Castelo de Otranto (1764), com o subtítulo «Uma História Gótica», do autor inglês Horace Walpole. Os significados que a palavra tinha anteriormente evocavam perfeitamente o humor sombrio necessário neste género, com personagens envoltas em desgraça e escuridão, muitas vezes numa casa grande, velha, decrépita e muito dramática.

No entanto, os romances góticos exploravam também os medos e as ansiedades vitorianas, relativas, por exemplo, ao sexo, à morte e à imortalidade. Nos anos 70, a banda Siouxsie and the Banshees criou uma estética e uma performance a partir desta evolução. Apesar de serem uma banda britânica pós-punk rock, Siouxsie, a vocalista, vestia-se como uma vampira, e usava lingerie vitoriana por cima da roupa, que combinava com collants de rede e botas pontiagudas. Ainda assim, era considerada uma femme fatale. Mais tarde, um jornalista descreveu a música da banda como «gótica», e a partir daí tudo se deu.

Acabaram por criar o rock gótico. O género em si separou-se do pós-punk, destacando-se pelo som e pelos arranjos mais sombrios, bem como pelas melodias dramáticas e melancólicas, inspiradas na literatura gótica e em temas, como a tristeza, o existencialismo, o niilismo, a tragédia, a melancolia e o macabro.

Por último, os fãs dos Siouxsie and the Banshees e de bandas como os Joy Division, os The Cure e os Bauhaus acabaram por criar a subcultura e o visual a que chamamos gótico.

 

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