A escrita dos números

Números e letras são às vezes vistos em oposição, às vezes em combinação. O que nem toda a gente sabe é que a escrita dos números em textos deve obedecer a um conjunto de regras razoavelmente extenso. Estranhamente, porém, os prontuários raramente dedicam a estas regras um apartado especial. Talvez porque os prontuários se tenham feito mais para os textos que falam de letras do que para os textos que falam de números.

Os números devem escrever-se por extenso até dez, incluindo os ordinais; mas estes só até ao nono. A partir deste número, a forma por extenso deve evitar-se. Exceto, claro, quando se tratar de uma data, caso em que os números correspondentes ao dia e ao ano nunca se escrevem por extenso. E a propósito de data: quando se reduzir a data a três números, convém usar o hífen para os separar (sem espaços) e evitar o sinal de divisão (/) que pode tornar-se equívoco. E a propósito de espaço: os números devem separar-se com espaço dos símbolos que se lhes sigam, como o símbolo de percentagem, já que têm leitura separada como duas palavras, que ninguém pensa em deixar juntas. Há quem proteste contra esta regra, apesar da razão que lhe subjaz, dizendo que resulta esquisito separar o número do sinal de percentagem ou do sinal de Euro, mas sobretudo que levanta muitos problemas quando se muda de linha e fica o número para um lado e o símbolo para o outro. Felizmente há uma maneira de ordenar ao Word (pelo menos ao Word…) que nunca separe tal número e tal símbolo com espaço no meio.

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E a propósito de números indivisíveis apesar dos espaços, diz o Instituto Português da Qualidade que os
algarismos de números muito grandes devem separar-se não por pontos mas por espaços de grupos de três, a contar da direita para a esquerda. Mas atenção: excetuam-se os números formados por quatro algarismos, que não devem separar-se de todo. E diz também o IPQ que, para separar as casas decimais, se deve usar a vírgula e não o ponto.

Não pensem que acabei de desfiar as regras de escrita dos números… na verdade, quase nem comecei. Mas, hoje, não vos canso mais.

Ângela Santos